Conhecimento e veneno

12 de outubro de 2010

Se entre os primitivos ‘era a fome que trazia a morte, agora, ao contrário, é a abundância que nos destrói. Naqueles dias, os homens frequentemente tomavam veneno por ignorância. Agora, melhor instruídos, eles se envenenam uns aos outros.’

Isso vem de um livro que estou lendo – Vícios Privados, Benefícios Públicos? de Eduardo Giannetti – em que ele trata, pelo menos até onde li, sobre a defesa do conhecimento e alimentação intelectual. Ele cita isso através de Sócrates e Platão; o primeiro achava que todos poderiam ser capazes de ter um bom conhecimento, logo tentava pregar isso a todos; o segundo, mais realista, achava que muitos tinham uma certa aversão ao conhecimento (algo bem atual: “seu nerd!”) e não anunciava essa vontade do conhecer a todos. Com isso, anunciavam que se aprofundar nos desejos carnais eram ilusórios e que o verdadeiro prazer vinha do intelectual.

Com o passar o tempo, um pouquinho de conhecimento e desenvolvimento das sociedades, ignora-se de vez esse intelecto para a coleção de bens. E aqui voltamos ao trecho citado: mutilação e predadorismo é válido nessa aventura.

Ainda não terminei o livro, nem esse capítulo que, por sinal, ainda é o primeiro.

Até aqui, um livro com a cara de seu escritor: buscando embasamentos filosóficos e deixando seu livro robusto de “se perdeu a concentração, então vai viajar e ter sono”. Friso esse segundo aspecto.

No entanto, isso não torna sua obra menos merecedora de atenção até esse momento da leitura.

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