E o que ando lendo por aí

31 de dezembro de 2009

Como o blog é meu e posso fazer o que quiser dele, abrirei uma seção – “E o que lendo por aí” – de textos que leio em meu cotidiano  – sejam eles de livros, revistas, jornais, blogs etc – e que achei interessante, engraçado ou seja lá o que for. O espaço será apenas reservado para o texto, e poderei postá-lo apenas, ou também criar um outro post; mas completamente independente do excerto: ou seja, não no mesmo post.

Enfim, texto tirado da última edição da Carta Capital conjuntamente à revista The Economist:

ALÉM DE UM NÚMERO

Como classificar a próxima década?, Adam Roberts se pergunta

O começo da sabedoria está em chamar as coisas pelos seus nomes corretos, aconselha um provérbio chinês. Um pouco de sabedoria seria bem-vinda agora, quando o mundo vira as costas para os anos da infância do novo século e seu período de calamidades econômicas, guerras mal conduzidas, terrorismo e mudança climática provocada pelo homem. Então, eis um desafio para a década vindoura, que começa em 2010 e termina em 2019: encontrar o nome certo para apelidá-la.

Apesar da predileção humana por colocar rótulos em tudo que se move [...], essa não é uma tarefa para ser realizada levianamente. O nomeador carrega consigo um pesado fardo, como qualquer pai e mãe de primeira viagem podem atestar. Fazer uma besteira na hora de nomear pode ter consequências para toda a vida. Os Dwyers nunca serão perdoados pela sua filha adolescente, Barb (“Barb Dwyers” soa como “Arame Farpado” em inglês); os Balls são acusados pela falta de bom senso ao batizar a pequena Crystal (“Cristal Balls”: bolas de cristal).

Alguns enganos são tão sérios que a Justiça precisa acabar intervindo. Um juiz da Nova Zelândia determinou que uma infeliz garotinha de 9 anos poderia trocar o seu nome, Talula Does The Hula From Hawaii (“Talula Dança O Hula Do Havaí”), por algum outro menos terrível. E autoridades do mesmo país também impediram que os pais de dois gêmeos recém-nascidos registrassem um como “Fish” e o outro como “Chips” (“Fish and Chips” é o típico prato britânico de peixe com batatas fritas).

Todos os nomes carregam um peso próprio. Uma pesquisa em 2009, por exemplo, expôs o preconceito dos professores britânicos, que admitiram julgar os estudantes muito antes que eles chegassem às salas de aula. Com uma breve olhada na lista de chamada, já esperavam que certos alunos se mostrassem travessos (aparentemente eles tremem só de ver uma lista com nomes como Chardonnay, Casey, Jack, Daniels e Callum) [...]. Talvez isto apenas reflita a obsessão britânica com as classes sociais, mas o estudo demonstrou como o seu nome voa na sua frente, ajudando o marcar uma primeira impressão, para o bem ou para o mal.

As empresas sabem disso muito bem. Cometa um escorregão com as marcas e os consumidores, às risadas, provavelmente não gastarão seu dinheiro, por mais atrativo que seu produto possa ser. [...] O Dodge Swinger (lançado em 1969) certamente teve apelo apenas para os poucos consumidores com a mente mais aberta. Os falantes de espanhol nunca quiseram saber do Mazda Laputa [...].

[...]

Mas a próxima década, com seus desajeitados ans na adolescência, traz um desafio especial. Que tal um adjetivo sem um substantivo acompanhando? [...] Ou que tal um neologismo? O legado econômico dos últimos anos significa que boa parte do mundo vai enfrentar, nos anos 2010, uma amarga “debtcade” ["dé(bito)cada"].

Adam Roberts: editor de notícias on-line, The Economist.

Peço para que quem leu diga um mísero “eu li” ao menos. Assim faço um levantamento dessa seção e vejo se continuaria ou não. (Se bem que entrar num blog com preguiça de ler é um cataclismo total.)

Também peço que deem sugestões de nomes para essa seção. Confesso que acho bem pobre esse “E o que ando lendo por aí”.

Fiquem à vontade. Não tenham preguiça de ler.

* Postado ao som de Felix Mendelssohn.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.