Eis aqui um sambinha de Chico
30 de setembro de 2009
Para que ninguém venha dizer “ai, Gabriel, só veio postar sobre o Nelsinho Piquet?! Que falta de criatividade para dinamizar seu blog, hein?!”, vou falar um pouco de duas músicas que tenho ouvido bastante, mané!
Primeiro – antes de expor as músicas – aos que não gostam de samba, não gostam porque não conhecem o bom samba, ou porque têm problemas mentais; quanto a isso, posso recomendar um telefone.
Tentemos falar um pouquinho mais do nada tacando Chico Buarque na conversa.
Desse seu CD (de 1978: Chico Buarque – Feijoada Completa) , minhas prediletas são os sambinhas Feijoada Completa, Homenagem Ao Malandro, Até O Fim, e Apesar De Você. Em especial, essas duas: (a segunda faz-me rir, algumas vezes, pelo grande humor que ela possui)
(Ignorem o cara que criou o vídeo: não havia um melhor)
Uma curiosidade deste segundo vídeo, é a paródia a um poema de C.D. de Andrade:
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
A palavra gauche (lê-se gôx), de origem francesa, corresponde a “esquerdo” em nosso idioma. Em sentido figurado, o termo pode significar “acanhado”, “inepto”. Qualifica o ser às avessas, o “torto”, aquele que está à margem da realidade circundante e que com ela não consegue se comunicar. É assim que o poeta se vê. Logicamente, nesata condição, estabelece-se um conflito: ‘eu’ do poeta X realidade. Na superação de conflito, entra a poesia, um veículo possível de comunicação entre a realidade interior do poeta e a realidade exterior.
Variantes da palavra gauche – como esquerdo, torto, canhestro – aparecem por toda a obra de Drummond, revelando sempre a oposição eu-lírico X realidade extrema, que se resolverá de diferentes maneiras.